. Que voar? . Programa Cultura Livre SP . 2012 .

As Rutes fazem novamente a ação "Quer voar", agora no Programa Cultura Livre SP 
pelos parques da cidade!

Aqui vão os parques pelos quais passamos:

Parque da Juventude . 29.jan. 13h00
Parque Villa Lobos . 04.fev . 13h00
Parque Tietê . 12.fev . 13h00
Parque Guarapiranga . 26.fev .14h00
Horto . 18.mar . 14h00



Performer convidada: Emilie Andrade
Produção: Aymberê Produções Artísticas Ltda.
Registro fotográfico: Gabriel Barone

. O Parque da luz e seus portais .


O olho vê, a lembrança revê e a imaginação transvê.
É preciso transver o mundo. 
(Manoel de Barros)

Caminhadas coletivas em busca de imagens que revelem os “portais” do Parque da Luz.
Com uma moldura, os caminhantes são convidados a “enquadrar” imagens que à primeira vista representem oficialmente o Parque. Em um segundo momento, os caminhantes serão convidados a um exercício de “transver”, enquadrando imagens que despertem o desejo de atravessar o portal acessando assim o lugar das possibilidades. O lugar de olhar não para o que as coisas são mas para o que elas poderiam ser...

1. Deixe que a sua moldura capture uma imagem inusitada, estranha, fantástica. Uma imagem capaz de abrir o portal.
2. Primeiro veja, depois transveja. Repare não mais no que a imagem é mas no que ela poderia ser.... E se......
3. Volte para o coreto e compartilhe a sua história.

Ficha técnica:

Performer convidada: Marina Campos.
Fotografia: Pedro Napolitano Prata.

Covite e parceria do SESC BOM RETIRO : projetos para o setor de Turismo Social.



Janeiro e fevereiro de 2012.


. Quer Voar? . Bom Retiro .


Qual o melhor tipo de asa para você?
















Você humanis migratoris, que já se deslocou, que  já viu o mundo lá de cima, para onde você vai agora com essa asa?
- Paris; Marrocos; Disney; Porto Seguro; Belém do Pará....
Sim.... ok.
Mas te ofereço uma asa sob medida, uma asa que te leva para o lugar precioso do seu sonho, da sua imaginação, do seu desejo – o seu lugar. Para onde você vai?
Vou ver minha mãe lá no céu.
Vou para dentro de mim, para o meu coração.
Vou para perto do meu amor que não me quer mais.
Vou voltar pra minha terra.
Vou para perto de Deus.
Encontramos no Bom Retiro os humanis migratoris com vontade de ir para o lugar da origem, o lugar onde tudo jórra e faz brotar.
Todo mundo quer voar.
Menos para conhecer novas paisagens que para conquistar esses novos olhos {olhos de olhar para dentro}.






























 



DS300042 by cristiana ceschi

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Ação "Quer Voar?”
SESC Bom Retiro
As Rutes + Marina Campos
Fotografia Pedro Napolitano Prata
Outubro de 2011

Convocatória . Ação coletiva Flash Mob . Sesc Pinheiros .

Convidamos a todos a participarem da ação coletiva Flash Mob na Comedoria do Sesc Pinheiros!

Neste domingo, dia 08 de maio, as 12:30 e 14:30.

Maiores informações e interesse em participar escrevam pra nós: asrutes@gmail.com

Nos vemos lá!!!

. Mãos . Virada Cultural . 2011

Ação realizada na Virada Cultural 2011.
São Paulo, 17 de abril, por volta de 01:30 am.
Artista convidada: Emilie Andrade

...quer fazer uma travessia?

...fecha os olhos e vem comigo....

...........

o que há entre o partir e o chegar?




Untitled from As Rutes on Vimeo.

. Troca de Histórias . SESC Campinas. 2011 .

Era uma vez, um sábado de sol, uma feira de artesanato lá no centro de Campinas.

Estavam lá: As Rutes, Ésio Magalhães e Cristiano Meirelles com sua sanfona.
Um tanto de histórias na memória.
Uma barraquinha, uma placa, um caixote, 2 banquinhos.

Abrimos uma troca de histórias: contamos uma história da tradição oral (de amor, aventura, engraçada ou mistério) e ouvimos uma história em troca.

Aos poucos, contamos as histórias que nos contaram.

Ao final, em uma roda de histórias, compartilhamos as histórias e ouvimos mais outras tantas.
Na roda, o caixote quando fica vazio abre para espaço para alguém sentar e contar.
Um portal.
E assim, as histórias vão sendo contadas, ouvidas, recontadas, trocadas...

Depois de um tempo, o caixote repousou e nós cantamos juntos para seguir viagem.

Obrigada queridos parceiros: Esinho e Cris!!!






Untitled from As Rutes on Vimeo.

. “Quintal” . projeto fotográfico e exposição efêmera .


.  Luana Fischer .  

. As Rutes .

. Performers participantes da intervenção : 
Emilie Andrade
Maggie Abreu
Roberto Maiolo
Thiago Spektror
Letícia Regina

























Memória, identidade, o pedestre e o trânsito, o lazer e a segurança nas
metrópoles são alguns dos temas explorados pela fotógrafa paulistana Luana Fischer
com "Quintal", trabalho contemplado com o XI Prêmio Marc Ferrez de Fotografia
(Funarte) e em exibição efêmera em trecho da sinuosa pista do Elevado Costa e Silva, o
Minhocão, em São Paulo, no domingo, 19 de dezembro de 2010, das 12h às 15h.

A exibição consiste em uma intervenção urbana performática, na qual sete atores,
dirigidos pelo coletivo As Rutes, carregarão em seus corpos as imagens captadas no
próprio Elevado, de 2008 a 2010. A performance ocorre no trecho a 150 metros da alça
de acesso da rua da Consolação. A entrada é, logicamente, livre.

O trabalho reúne imagens captadas em momentos em que o Elevado estava fechado ao
tráfego: à noite e aos domingos.

A fotógrafa partiu de uma primeira série de fotos noturnas, nas quais se vê um Minhocão
vazio de carros e pessoas, para começar uma reflexão sobre a ausência de espaços
livres para o cidadão à pé na cidade.

Essa reflexão deu lugar à serie de retratos que se apresentará na exposição efêmera:
usuários do Elevado aos domingos, transformando um lugar deteriorado e cinzento em
espaço lúdico.

Quintal, lugar que deixou de existir na maior parte das vivendas paulistanas, cada vez
mais diminutas, apartamentos cada vez menores, muros cada vez mais altos. Quintal
privado e coletivo. Quintal que questiona os escassos espaços que a cidade reserva aos
seus moradores.

Muito obrigada aos performers participantes da Intervenção!


Fotos Luana Fischer

Visite os sites para saber mais:
http://www.luanafischer.com/blog/2011/o-muro-el-muro/ 
http://quintal.luanafischer.com/











Quintal from Luana Fischer on Vimeo.

. Cielo di San Carlo. per notabile . Sesc São Carlos . 2010 .

Fechamos este mês nossa participação no projeto Arte em Público: reflexões sobre a cidade, uma parceria entre o SESC São Carlos e o NEC.USP - Núcleo de Estudos das Espacialidades Contemporâneas.

Sabemos que durante todo o processo aprendemos muito mais do que foi possível compartilhar aqui nesse espaço.

Primeiro, o workshop com Antoni Muntadas e os alunos e professores do NEC.USP, um trabalho coletivo de mapeamento de situações de convívio e segregação sócio-espaciais representativas da cidade de São Carlos. Ficamos admiradados com o nível da discussão e das propostas de intervenção dos alunos – que estarão reunidas em uma exposição no SESC São Carlos em Março. Imperdível!

Depois, o desafio de realizar uma ação dentro deste grande tema que é a presença dos condomínios nas cidades e a proliferação de fronteiras visíveis e invisíveis nas relações espaciais e subjetivas do espaço urbano.

O que falta no espaço público, na experiência de cidade, que os condomínios podem garantir? Falta algo além do que aparece na publicidade: segurança, lazer, conforto e liberdade? Que tipo de gente eu desejo ser ou penso que sou para morar em um condomínio fechado?

Desenvolvemos nossa proposta em cima desses sistemas de distinção e segregação = De um lado: ser exclusivo, ser notável – De outro lado: ser singular, ser sujeito da própria história capaz de imaginar e criar novos possíveis.

Taí o vídeo, que mostra um pouco do que foi a nossa ação em São Carlos nos dias 08 e 09 de outubro.
Obrigada a todos que contribuiram com esse processo. Especialmente o Fernando que além de trazer sofisticação plástica e poética, nos ofereceu seus olhos e coração para generosamente ver e discutir o trabalho das Rutes.

Lá vai então a chamada do trabalho e o vídeo, divirtam-se:

Para onde você vai quando
passar desta para uma melhor?
Venha para o Cielo di San Carlo,
um Paraíso de condomínio!
Você Notável pode ter um lote em nosso empreendimento!
Mas….venha logo! Nunca se sabe o dia de amanhã!


Cielo di San Carlo é um empreendimento imobiliário Além Vida,
exclusivo para os Notáveis da cidade de São Carlos.
Aqui você terá a notabilidade que sempre sonhou e tudo o
que desejar para a construção de uma vida eternamente segura e feliz.
Mas lembre-se: não se pode levar nada material nesta passagem
para o Paraíso, somente suas lembranças, valores, experiências,
sabedoria, sua história; somente a vida que você levou.


Seja bem vindo ao Cielo di San Carlo!
Um Paraíso Além Vida que espera por você!




Cielo di San Carlo - As Rutes - 2010 from beatriz carvalho on Vimeo.

. Zonas Liminares . As Rutes . Fernando de Almeida .

Fomos convidados a participar do Projeto Zonas Liminares, de agosto a outubro, em São Carlos.

Convidamos para este projeto o artista e ilustrador Fernando de Almeida
Zonas Liminares é uma parceria da FAU-USP de São Carlos com o Sesc, onde acontecerá um  workshop com a orientação do artista Antoni Muntadas e uma segunda fase, onde nós iremos desenvolver, a partir das discussões e experiências no workshop e na cidade, uma intervenção em São Carlos, como artistas convidados. A principal discussão do workshop, são os condomínios nas cidades. 

...

Aqui vai uma prévia da ação que estamos elaborando para este projeto....
 
As Rutes e Fernando de Almeida em...
. Cielo di San Carlo .
. per notabile .
{porque o que se leva dessa vida é a vida que se leva}

O Cielo di San Carlo é um empreendimento imobiliário novo a ser inaugurado na cidade de São Carlos. É o paraíso a ser vivido depois da morte. Um lugar no céu, no Além.

Três performers, uma cabine que é um portal de depoimentos, 
algumas perguntas sobre ser notável, histórias de vida e imagens de paraíso.....

{Com a chegada do fim do mundo, você já pode começar a pensar no seu futuro}





Na Fila para o Além

Na Fila para o Além é uma investigação-ação que foi realizada no Sesc Pinheiros durante todo o mês de julho. Essa investigação é parte e caminho para um projeto maior que estamos desenvolvendo, chamado Projeto Andorinha.

Nela, 3 funcionários enviados do Além,  adentram o universo de espera das filas para mergulhar em temas como a passagem da vida e a sua finitude.

Dentre os funcionários do Além, dois convidados muito especiais....
Marina Campos e Adê Teixeira.










































Uma das funcionárias relatou:

"{...} Conhecemos um senhor bonito de voz firme chamado Marco Antônio. Todo arrumado, calça branca, camisa verde, cabelo bem escovado. Na interação com o público, seguimos um roteiro de perguntas a principio brincalhonas. para amolecer. Marco antônio acompanhava a brincadeira com seriedade. Mais adiante chegamos nas perguntas que realmente nos interessam: na “passagem”, o que vai ser difícil deixar para trás? o que será um alívio deixar pra trás? se pudesse levar uma única memória para a eternidade qual seria? você cumpriu a sua missão?
Ouvimos o Marco Antônio e ele também se ouviu. Terminamos todos muito emocionados.
Esse senhor, com jeito de Rei, falou muito de sua linda esposa, da sorte grande de escolher e ser escolhido pela pessoa certa, do dia do seu casamento, uma alegria inesquecível, da vontade de voltar no tempo para curtir mais os filhos e também do amor, saudades e grande admiração pelo sogro e pelo cunhado... que já passaram.
...que sortuda a esposa do marco antônio: um pai, um irmão e um marido muito bem acabados. Fiquei depois pensando nessas figuras masculinas e lembrei de uma história que veio da lá da índia:

Conta que um rei anunciou para todo povo que sua filha estava pronta para casar com o homem de sua escolha. No dia estipulado, apareceu muita gente. O pai não sabia a quem dar a mão de sua filha. ele olhou para todos os jovens e disse: - minha filha, vai passear no jardim com esses rapazes para que se conheçam.
e assim foi.
ela se sentou no gramado e aquele tanto de homem a sua volta.
eles não sabiam o que dizer, estavam vidrados na beleza e graça da princesa. quando ela olhava para direita, eles olhavam para direita. quando ela olhava para esquerda, eles olhavam para esquerda.
e, de tanto a olharem, ela foi ficando incomodada... se agitou, se contorceu, torceu seu lenço, ficou enrolando o cabelo nos dedos e de tanto torcer e retorcer ela atraiu para si o espirito da contorção que apareceu sobre a forma de uma serpente venenosa que se enroscou em volta de seu tornozelo e a mordeu. na mesma hora ela caiu morta!o pai inconsolavel ordenou que se fizesse o funeral.
o primeiro jovem disse: vou pegar seus ossos e afundá-los no rio sagrado para que a princesa ressuscite.
o segundo disse: vou em busca de uma fórmula encantatória par que a princesa volte a viver.
o terceiro disse: ficarei aqui e esquentando as cinzas da princesa com meu corpo.
o tempo passou.
o segundo jovem trouxe enfim a fórmula encantatória e mandou chamar o primeiro para que viesse com os ossos encontrar o terceiro que permaneceu junto às cinzas. eles pegaram as cinzas, os ossos, reconstruiram o cadaver e o segundo declamou as palavras encantadas. de repente ascendeu uma fogueira e desse fogo saiu a jovem de pé como uma deusa ainda mais bela do que antes. os três rapazes ficaram loucos de amor e começaram a brigar pela mão da moça que preferiu ela mesma escolher seu pretendente:- muito bem, o primeiro rapaz, que levou meus ossos ao rio sagrado fez o que costumam fazer os filhos quando morre o pai ou a mãe. o segundo jovem, assim como um pai, me ofereceu a vida. casarei com o terceiro, aquele que, com seu corpo, aqueceu minhas cinzas, que não me deixou um instante, que permaneceu deitado ao meu lado.
Casaram-se e a festa foi linda, dia de sol, noivos reluzentes, comida boa e farta e música pra dançar sem parar, assim como disse o marco antônio, foi o dia mais feliz da vida daquele jovem.
Essa é a história. Parece muito a cantiga portuguesa "Terezinha de Jesus". quando encontrei Marco Antônio, essas histórias tão antigas e poderosas brilharam vivas em nosso presente... e naquele momento me pareceu uma trama só, uma mesma raiz... são histórias trançadas suspensas em um tempo que está fora do nosso tempo.
Perguntei ao marco antonio como ele gostaria de morrer e ele me disse que queria simplesmente virar o vento."
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  DS300136 by cristiana ceschi

Mensagem para Tides

Sobre alcançar o último dos horizontes
Estar junto quando se está separado
Conectar
Desejar falar
mensagear
cruzar o mar
alinhar
alinhavar
tecer

Uma primeira experiência de vídeo-mensagem nesse ano de distâncias e mágicas proximidades. 
Essa mensagem é para minha amicce, Tides, parceira nessa pesquisa de outros mundos possíveis.

Música Cocorosie, "Sunshine".



Mensagem para Tides 2 from beatriz carvalho on Vimeo.



Noemi Jaffe ilumina nosso trabalho :: janeiro 2010

O texto abaixo, sobre o trabalho das Rutes, é da Noemi Jaffe.
Foi feito em parceria com o Conselho Britânico pra uma futura publicação.
A Noemi e a Roberta Mahfuz são especialistas em partilhar suas estrelas.
Obrigada lindonas!
 
“As Rutes”, antes de tudo, é um nome engraçado. Como se fossem duas senhoras judias que gostam de ficar fofocando à porta de casa todas as tardes. É também um nome singular e individual, coletivo e plural ao mesmo tempo, como se todas as Rutes, ou pelo menos essas duas, fossem uma só. É definido e totalmente indefinido. Além disso, Rute não é um nome comum em português; mesmo assim, as Rutes , no plural, tem algo de “Zé”, de “fulano”, de “qualquer um”. Como se também fosse possível dizer: as Rute.

E tudo isso é verdadeiro quando se pensa no trabalho destas duas artistas performers_Beatriz Carvalho e Cristiana Ceschi. .

São mesmo duas senhoras do Bom Retiro fofocando diariamente à porta de casa, fazendo intrigas e inventando histórias- duas pessoas totalmente distintas, com formações e propostas diferentes, mas que, juntas, constituem uma unidade indissolúvel e necessária. São uma dupla com uma proposta estética única e original, mas, ao mesmo tempo, de uma originalidade que conversa com o conhecido e o familiar.

Vamos por partes:

1. Bê e Cris, “As Rutes”, são mesmo fofoqueiras e intrigueiras. Afinal, de que mais se trata o ato de inventar narrativas, senão do conhecido e prazeroso ato de fofocar? Fofocar é criar versões, acrescentar fatos, reinventar as verdades e fazer da mentira uma performance estilizada- fofocar não é para qualquer um. E “As Rutes” saem pela cidade atrás de fofocas perdidas. “Ei, moço, você tem uma fofoca pra contar? A gente quer muito ouvir.” E as pessoas param, inventam, falam a verdade, criam caminhos e “As Rutes” nos conduzem pelos desvios das mentiras verdadeiras de quem anda pelas ruas. Desta forma, vestidas de algo entre palhaças e atrizes, desnaturalizando o olhar dos passantes, elas apelam - com placas, sinais, avisos - para uma outra condução e caminhada possivel. Os passantes se vêem chamados a reconstituir seus caminhos, geográficos e históricos, e a se considerarem não mais apenas como peças de uma engrenagem maior, mas como sujeitos de uma história pessoal, que, esta sim, pequena do jeito que for, é, naquele momento, constituinte do imaginário urbano. Se, por alguns minutos, uma prostituta tem a oportunidade de fazer de sua insignificante historia uma grande versão, uma grande fofoca que será ouvida pelas Rutes (todo mundo e ninguém), por ela mesma e, posteriormente, por muitos outros desconhecidos, então espera-se que aqueles minutos de fabulação a façam reconhecer que sim, que ela tem mesmo uma historia e que não é apenas parte de histórias alheias. Desta maneira, “As Rutes”, ao se vestirem de forma divertida e inusitada, ao usarem placas de trânsito invertidas e renovadas, ao solicitarem do passante que preste atenção a si no meio de seu caminho – ou que seja, por alguns instantes, o próprio caminho – conseguem ritualizar e dar significado às historias individuais, invertendo temporariamente a proporção e o sentido geográfico das narrativas: as coisas passam a caminhar do grande para o pequeno, do coletivo para o individual, do funcional para o inútil. Enfim, fofoca.


2.    2. “As Rutes” é um nome individual e coletivo.
“As Rutes” são uma dupla. Uma dupla é uma unidade feita de duas partes diferentes. E é isso mesmo o que elas são e fazem.
Cris tem formação teatral, como clown, narradora de histórias e performer. É uma artista da voz, da palavra e do corpo. Sua atuação acontece no nível da recriação corporal de si e do outro, organizada para que se possa dar lugar à fabulação verbal e à reacomodaçao física. Sua presença estranha e programada, consciente, libera a presença e a fala do outro.
Bê é artista plástica. Sua condução do trabalho, por isso mesmo, é mais espacial, concentrada e menos narrativa. Imagino que esteja nela a responsabilidade pelas marcações gráficas, pelos sinais, pela disposição e movimentação únicas no espaço urbano.
Cada uma é diferente e exerce funções diferentes, mas, juntas, formam uma unidade, um nó muito bem atado, mas sempre constituído de duas partes. Não seria o caso de algo como: “Oh, agora encontrei minha alma gêmea! Somos um só, somos irmãs!” Não. “As Rutes” é uma unidade plural, em que palavra e espaço, historias e movimento, sinais e voz se combinam e se completam para organizar, como elas adoram dizer, possibilidades. “As Rutes”, juntas, são mesmo isso, organizadoras de possibilidades. Possibilidades que só podem acontecer a partir dessa duplicidade de competências, pois seu trabalho é narrativo e urbano e, nele, uma coisa não pode existir sem a outra. Tempo e espaço mancomunados para que os indivíduos e, com ele, a cidade, falem e se reconheçam como passado e como presente.
Mas ao chamar essa dupla de “As Rutes”, como que como que se indefine e se coletiviza este nome. Trata-se de uma dupla e de um trabalho muito bem definidos, com propostas claras e construídas cuidadosamente, mas que também propõe perder-se no espaço e, eventualmente, também no tempo, alem de lidar com historias também elas perdidas. Assim, se alguém por acaso conhecer duas pessoas de nome Rute, também elas podem ser as Rutes- também elas, inadvertidamente, estão fazendo o mesmo trabalho que “As Rutes” maiúsculas.

3. Rute não é um nome comum em português, mas poderia ser um zé, um fulano, um qualquer.
Aqui aparecem os domínios do familiar e do não-familiar, com os quais a dupla trabalha esteticamente. Recorrendo a técnicas de grande sofisticação poética e plástica, além de munidas de ousadia e até de uma certa “cara-de-pau”, elas, mesmo assim, se aproximam do conhecido, do comum. Ou melhor, fazem-no aflorar e permitem que ele seja visto com olhos novos. Como se fosse preciso mergulhar no desconhecido para trazer, do fundo dele, tudo o que já conhecemos. Quando um inglês de Brighton entra numa cabine telefônica comum, apelidada entretanto de “mágica” e nela, ao invés de proceder mecanicamente a uma ligação, é instado a desabafar algum sonho secreto e íntimo para uma câmera, ele retira do fundo de si algo que já sabia, mas tinha esquecido. Nós, espectadores, ao assisti-lo, nos lembramos de sonhos e fantasias semelhantes. Algumas pessoas chegam a agradecer às artistas por elas permitirem que uma antiga história reapareça, uma história emudecida, há tanto tempo não ouvida, que até a própria pessoa esqueceu. Com “As Rutes”, alguém quer escutar e a escuta possibilita a narrativa e faz com que a pessoa reconheça que ela também tem uma história. Comum mas particular.
Desta forma, “As Rutes”, de domínio ainda elevado e culto, podem se transformar em “As Rute”, de domínio público e banal.
“As Rutes”, de certa forma, atravessam incólumes as discussões acirradas sobre o papel das narrrativas na assim chamada “pós-arte” ou “arte pós-moderna”. Se alguns dizem que a narrativa pertence a um mundo e a uma arte já extintos, quando ainda se acreditava em linearidade espacial e temporal e em representações e outros brigam pela manutenção e pela força da metáfora narrativa, “As Rutes” parecem se localizar num lugar aquém ou além destas discussões, não somente produzindo, mas também suscitando narrativas. A dupla tem a “caretice” de manter o aspecto utópico da produção artística em tempos que se dizem pós-utópicos. Mas, convenhamos, o que “As Rutes” conseguem estabelecer, com sua “petulância” narrativa, não é exatamente uma u-topia? Um não lugar localizado exatamente no fulcro dos lugares, uma fenda temporal e espacial por onde se escapa para um lugar possível? Como falar em pós-utopia, quando um homem-sanduíche, no centro de São Paulo, diz sonhar com outras terras enquanto placas em seu corpo vendem ouro e quando uma prostituta que trabalha no Anhangabaú diz que há coisas do passado que ela não consegue esquecer, para logo em seguida cantar um baião?
São forças móveis e mobilizadoras como essas que as ações de “As Rutes” sabem criar.
Como chama o nome disso, se é pré ou pós utópico, se é “old-fashioned” ou “hiper-contemporâneo” são questões que contrariam o seu trabalho. Defini-lo é, de alguma forma, negá-lo; impedir que ele se propague livremente. Como diz Eduardo Chillida, desenhista e escultor basco, “o horizonte é meu país e é nele que eu moro e invento meu trabalho”. Quem quiser dar nome ao trabalho de “As Rutes”, que vá procurá-lo no horizonte.
Noemi Jaffe



Magic Booth • UK • 2008

CABINE MÁGICA

Entre nesta cabine e saia como desejar.
Em que você gostaria de se transformar?
Uma câmera afixada dentro da cabine e muitos depoimentos sobre ser um outro alguém.
Depoimentos solitários, íntimos, reveladores do espírito daquele lugar.




[IMG_6446+2.jpg]

O lugar em que tudo é possível ou “o sonho de Tica”
















.... Um homem comum, em um só gesto, retira a espada cravada no rochedo.

Espada forjada por Deus no Paraíso.

Espada que pertence àquele escolhido para ser Rei.
A espada agora lhe pertence.

Está perplexo.
Não sabe.

Recebe.

Está encantado.

- E agora?

Abre-se o Reino das Possibilidades.

Unrealised Project São Paulo Lynn Harris + As Rutes
















Em nossa residência no Reino Unido em 2008, conhecemos uma artista americana (residente na Inglaterra) chamada Lynn Harris . Em julho, Lynn Harris vem ao Brasil, e estaremos desenvolvendo um projeto chamado Unrealised São Paulo. Serão ações e coletas na rua para refletir, construir imagens e discussões a respeito da transformação na paisagem urbana que ocorreu nos últimos tempos com o projeto "Cidade Limpa"(A chamada Lei Cidade Limpa é uma lei contra a poluição visual no município de São Paulo, em vigor desde 2007). Em toda a sua complexidade oficiais e residuais. Além disso, estaremos com um QG no MIS( Museu da Imagem e do Som) , para mostrar e gerar encontros a partir do trabalho que estará sendo desenvolvido de 28 de junho a 15 de julho.

PROJETO PONTO BRASIL = Museu da Pessoa + TV Brasil + As Rutes

O convite veio do ponto de cultura Museu da Pessoa

Somos quatro coletivos aqui de São Paulo neste processo: Pi (política do impóssível); Afrofuturismo; Corposinalizante e As Rutes.

Começamos todos aprendendo as metodologias do Museu: as entrevistas das estórias de vida, o círculo de estórias e também a maneira de cada coletivo chegar no outro, investigar, intervir no espaço público.
Muito rico. Um grande privilégio.

A Tv Brasil chegou com as oficinas de elaboração, criação e produção dos filmes. Aprendemos muito e abrimos alguns caminhos na linguagem/pesquisa que estamos imersas.
Boas surpresas. Dêem uma olhadinha.

Ah, os dois vídeos vão passar na programação da TV Brasil. Em breve teremos as datas.

Era um rei que não sabia sonhar






A imensidão é o movimento do homem imóvel

Qual é o maior sonho de uma mulher?

Partimos para encontrar as profissionais do sexo do Vale do Anhangabaú.
Levamos uma história, um enigma, chegamos perto para pedir ajuda.

Posso lhe contar?

Elas olhavam para o lado, atravessavam nosso olhar em busca dos homens que ali passavam.

Falamos baixinho, perto delas, quase um segredo:

Era uma vez um grande rei que governava as terras onde hoje estão a Inglaterra, a Escócia, o País de Gales e a Irlanda.
Arthur, chamava-se.
Um dia, Arthur saiu para caçar sozinho e encontrou uma alce imenso, todo branco de chifres galhados.
Era ele.
Arthur saiu em disparada atrás do bicho.
Acabou indo parar numa clareira da mata, onde nem sequer a luz conseguia penetrar pela trama das árvores imensas.
Súbito, um homem gigante, vestindo uma armadura negra, parou diante dele e trovejou: “Quem ousa caçar nas minhas terras?”. E preparou-se para matá-lo.
Diante da infração evidente, Arthur preparou-se para morrer como um verdadeiro cavaleiro: “Este é um belo dia e um magnífico local para morrer”, avaliou. O Cavaleiro Negro, reconhecendo a coragem do rei, decide desafiá-lo. Pediu que ele voltasse depois de três dias e três noites trazendo a resposta para a seguinte pergunta: Qual o maior sonho de uma mulher? Se conseguisse a resposta a vida do rei seria poupada.

Os olhares das moças não mais buscavam algo fora e sim uma resposta bem do lado de dentro: Qual o meu maior sonho?





























Durante três dia e três noites, o rei Arthur e seus cavaleiros entrevistaram todas as mulheres do reino.
No final do terceiro dia, sir Gawain caminhava pelo bosque quando uma mulher horrenda apareceu na sua frente. De seus cabelos cresciam criaturas rastejantes e seus olhos eram vermelhos, pequenos e remelentos. Feridas cobriam o corpo curvado e retorcido, coberto com uma capa vermelha escurecida de sujeiras. Mas as palavras que a velha bruxa dirigiu ao cavaleiro foram como um clarão de esperança. “Sou Dame Ragnell, irmã do Cavaleiro Negro e conheço a resposta para a terrível pergunta que atormenta você. Posso contar, com uma condição: quero casar-me com o mais belo, o mais forte, o mais corajoso e bom dos cavaleiros do rei Arthur – O SENHOR MESMO – sir Gawain!!
Sir Gawain faria qualquer coisa para salvar a vida do rei e aceitou o pedido de Ragnell.
Então ela disse que o que uma mulher mais sonha em toda sua vida e Sir Gawain contou ao rei Arthur que então foi ao encontro do Cavaleiro Negro com a resposta certa e pode sair do domínios do grande cavaleiro vivo e livre.
O dia do casamento chegou. Toda a corte estava imensa em tristeza. E quando o sol nasceu, a cerimônia não teve os cantos alegres e as brincadeiras tradicionais. Gawain e Ragnell casaram-se em meio ao silêncio e à pena de todos.
Já a sós, os noivos conversaram até o sol se pôr. Quando se preparavam para dormir, a horripilante noiva cobrou do jovem seus deveres de esposo e um beijo. O nobre cavaleiro, sem pestanejar, colocou os lábios sobre a boca nojenta da bruxa. No mesmo instante, surgiu diante dos olhos espantadíssimos de Gawain a mais bela princesa que jamais havia existido.
E com voz de música a princesa falou: “Como você foi gentil comigo, vou deixar que decida. Posso assumir minha forma de princesa apenas durante uma parte do dia. Como você me quer? Bela para você durante a noite ou bela à luz do sol para seus amigos?” Gawain então olhou para Ragnell, curvou-se numa reverência e respondeu: “Lady Ragnell, a decisão é sua e eu vou respeitar sua escolha,qualquer que seja ela”.

O maior sonho de uma mulher é ter sua vontade, seu desejo e sua autonomia respeitadas.

E com estas palavras e sua soberania assim reconhecida pelo marido, Dame Ragnell escolheu ser bela tanto durante o dia quanto à noite e ambos, o nobre e generoso Gawain e a linda e poderosa Ragnell, decidiram ser fiéis um ao outro por toda a vida.

As Rutes na revista Não Lugar






















Para acessar a revista na íntegra, aqui vai o endereço:

http://www.naolugar.com.br/Basic-Xml%20Version/n02/revista.html

Revista Itaú Continuum

Participação das Rutes na revista Continuum do Itaú Cultural > O que é isso? - Arte Contemporânea (março de 2009). Junto com outros artistas, em destaque a nossa querida amiga, artista-fotógrafa, Luana Fischer, direto de Madrid. {http://www.luanafischer.com/}

Confiram a revista no endereço abaixo:

http://www.itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=2720&cd_materia=854 (para acessar a participação das Rutes)

http://www.itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=2778 (para baixar o PDF da revista inteira)



As Rutes encontram alunos da USP-São Carlos

Recebemos o convite de David Sperling para uma roda de conversa com os alunos de arquitetura da Universidade Federal de São Carlos, que estavam em um laboratório de investigações e explorações em São Paulo. Quando a cidade vira arte? Como o cotidiano urbano e seus resíduos, se transformam em conteúdos para o trabalho dos artistas? Até onde vai o trabalho? Como delinear, na experiência da cidade, a experiência da arte? Foram algumas perguntas que surgiram e foram refletidas neste encontro. Para nós, é uma oportunidade de troca e de retornar as questões que nos movem...atualizando-as neste espaço e tempo.

PROJETO CARTÃO POSTAL NA MOSTRA SESC DE ARTES

De 8 a 18 de outubro, participamos da Mostra Sesc de Artes, em São Paulo. Ações na rua, uma instalação chamada "O Diário Aberto do Viajante" e o "Blog do Viajante" foram parte deste projeto.










Abaixo estão os vídeos das ações que desenvolvemos em São Paulo (captados e editados pelo artista Eduardo Consoni), durante a Mostra Sesc de Artes (mais informações sobre as ações e o processo de investigação e criação 

acesse o blog do viajante: http://odiariodoviajante.blogspot.com/)

Caça Fantasma • Coleta de histórias de assombração • Parque da Luz



Travessia dos Sentidos • Viaduto Santa Ifigênia




Ponto de Encontro • Vale do Anhangabaú








PROJETO CARTÃO POSTAL NO REINO UNIDO












Cartão Postal é um projeto incentivado pelo British Council em parceria com o Arts Council. Nos últimos 2 meses, estivemos na Inglaterra investigando possibilidades de ações e relações no espaço urbano de Brighton e Londres.
A partir de cartões postais (imagens oficiais) das cidades, traçamos percursos poético-performáticos, buscando interagir com os habitantes do lugar, revelar, tecer e reinventar narrativas sobre o cotidiano da cidade e os sentidos/significados presentes na experiência do lugar. A partir destes percursos poético-performáticos, serão gerados novos cartões postais (agora não mais oficiais, mas pessoais, que sintetizam a história residual dos lugares) como evidência das novas narrativas tecidas e como produto síntese da experiência vivida, os quais serão enviados para as pessoas que encontramos ao longo desta jornada.

Agradecemos ao artista Ésio Magalhães, por participar da preparação e pesquisa desenvolvida no primeiro semestre de 2008, em São Paulo. A trajetória construída após esta intensa experiência de troca e aprendizado está enraizada em nossas descobertas compartilhadas.

Abaixo seguem as ações e investigações poéticas realizadas...



CAROUSELS

Edição Eduardo Consoni
Música: Eulália (André Mesquita)

Gostaríamos de agradecer imensamente aos dois artistas pela colaboração, parceria e por compartilhar suas poéticas...

(dica: na primeira vez deixe carregar, e assista na segunda...)




AO ATRAVESSAR A PONTE...CROSSING THE BRIDGE...







Aguardo de olhos fechados com a mão estendida.

É um momento tão expandido, uma espera que convoca, e é frágil ao mesmo tempo.

A mão como um campo aberto.
Ofereço e tomo.
Troco com algumas pessoas.

Seguram na ponta dos dedos, seguram prontos para soltar, seguram de leve.

O menino não.
Segurou num gesto habitual. Segurou firme. Sabia segurar.

Que intimidade têm as mãos.

De olhos fechados consigo identificar as mãos das pessoas que amo: dos meus pais, irmãos, dos filhos que terei, dos grandes amigos.

Sei o formato, textura densidade das mãos que procuro e que me procuram.

Atravesso a vida com elas.

TOLERANT • Londres



How do I transform myself trough you?

Como me transformo através de você?